Palpite Feliz
Muitos queridos sabem do meu encantamento pelos anos de 1920/30. O samba, as incursões culturais, a contestação, a política...., tudo seduz. Pois que, assim, não poderia deixar de assistir a "Noel, poeta da Vila", de Ricardo van Steen. E, sim, gostei. Rafael Raposo convenceu na pele do matusquela filho de dona Martha, embora acredite que o original tenha sido um tanto mais faceiro. A maravilhosa Pitanga na carne de Ceci também merece elogios. Flávio Bauraqui na vez de Ismael Silva talvez merecesse um pouco mais destaque, mas, ok, deu tudo certo.
O que não me conformo é com a escolha/caracterização de Carol Bezerra na interpretação de Aracy de Almeida. A moça é ótima, parece mesmo boa atriz. Mas muito delicada e cheia de modos para a desbocada e malandra duquesa do Encantado.
Colocaram (Bia Salgado, figurinista) a moça até de transparência com barriguinha de fora e peço a gentileza de alguém imaginar Araca em tais vestes. Fora os bons modos. Não vi a Carol travestida de Aracy soltar um mínimo palavrão. E, não, essa não é a Aracy do meu imaginário histórico.
Também achei constrangedor escalar Supla para a pele de Mário Lago. Queria dizer a Pedro Vicente, diretor de roteiro, que menos ainda gostei da parte que coube a Lago no latifúndio da digital. Mário não foi alguém que aparou Ceci quando esta se sentia desprezada por Noel. Como o filme foi baseado na biografia de João Máximo e Calos Didier, vale rever a publicação para compreender melhor a história. E para finalizar o parágrafo: o que é o sotaque paulistano de Supla na encarnação do autor de Amélia, gente?
A dica se repete quando o filme aborda a exploração do (muso) Francisco Alves sobre os compositores do morro e Noel. Aliás, há composições de Noel que denunciam a malandragem do "Rei da Voz". Eu incrementaria mais a pesquisa.
De resto, acredito - mas vou pesquisar para afirmar - que a ordem da briga musical entre Noel e Wilson Batista tenha sido alterada. Um revival da trama montado por Henrique Cazes e Cristina Buarque de Hollanda pode ajudar a decifrar esse enígma.
Mas, de todo e tudo, vale a pena ver o filme. A fotografia de Paulo Vainer me ganhou. Do mais, memorável a cena em que Noel canta para Ceci 'Ultimo Desejo'. De uma sensibilidade tamanha.


1 Comments:
Supla é Mário Lago?!
...Isso vai ser engraçado...
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